quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Curso Grátis de Animação em 2D

AnimaEdu
Curso de Formação de Animadores em 2D

Tem gente que ainda não acredita, mas há muito que o Brasil deixou de ser o bobo do desenho animado ou dos filmes de animação. Tem animador brasileiro mundo afora e Brasil adentro produzindo pérolas premiadas nos mais diversos festivais de animação.

Para quem gosta de desenhar, tem no mínimo de 16 anos, e é louco por animação e não sabia por onde começar a praticar e chegar ao mercado, Otto Desenhos Animados está lançando o AnimaEdu, um curso, a distância, para formar animadores em 2D.

O curso é online e conta com o patrocínio da Infraero e o apoio da Secretaria Audiovisual do Ministério da Cultura. A seleção para a primeira turma será através de apresentação de desenhos dos interessados.

O AnimaEdu vai utilizar exclusivamente o sistema de ensino baseado na interação virtual entre aluno e tutor, através da Internet. A primeira turma funcionará de maneira experimental, com alunos selecionados a partir do pré-cadastro no site. A partir dessa primeira experiência, o projeto sofrerá os ajustes necessários para ser aberto para o público em geral. A primeira turma começa o curso em novembro de 2009 e deve concluí-lo até janeiro de 2010.

Para inscrição e maiores informações acessar:

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Crítica: Alô, Alô, Terezinha!


por Joba Tridente

Finalmente chega às salas de cinema o esperado documentário Alô, Alô, Terezinha, de Nelson Hoineff. Se alguns cineastas brasileiros descobriram o filão DOC, o público ainda tem as suas ressalvas. E é bem provável que elas aumentem com este Alô, Alô, Terezinha, um filme que decepciona quem se dispõe a ir ao cinema para saber algo que ainda não saiba ou simplesmente para matar saudades do irreverente Velho Guerreiro.

Alô, Alô, Terezinha (Brasil, 2008) não é, exatamente, uma biografia cinematográfica de Chacrinha. Talvez um título mais correto fosse Adeus, Adeus, Terezinha, já que se trata dos sobreviventes dos Programas do Chacrinha (Discoteca do Chacrinha, Cassino do Chacrinha, Buzina do Chacrinha), mais precisamente das suas chacretes. Recheado de imagens de arquivo (que parecem reprodução de fita VHS rodando num vídeo-cassete com cabeçote sujo), o filme resgata uma dançarina aqui e outra ali e elas vão falando (ou desfiando lamúrias) sobre o antes, o durante e o desafortunado depois da “fama”. É um vale tudo sem fim (droga, sexo, prostituição) numa viagem incômoda que vai do vulgar ao grotesco em questão de segundos.

Chacrinha (José Abelardo Barbosa de Medeiros-30/09/1917 – 30/06/1988) “criou” um jeito irreverente de fazer programas de televisão com muitas baixarias, devidamente apropriadas e multiplicadas pelos atuais apresentadores (“Na televisão nada se cria, tudo se copia!”) que transformam cada vez mais a TV brasileira num mundo cão sem nenhuma coleira à vista. Alô, Alô, Terezinha insiste na dose e no desfile vexaminoso de depoimentos (e desnudamentos) de chacretes, de ex-calouros com suas bizarrices, e até mesmo de cantores conhecidos ou esquecidos, sobre o Velho Guerreiro (e muito mais sobre si mesmos), que acrescentam absolutamente nada à biografia do apresentador ou à memória cultural (televisiva) brasileira.

Alô, Alô, Terezinha pretende ser engraçado, mas o seu “humor” é constrangedor. Se Chacrinha dizia que “veio pra confundir e não pra explicar”, Hoineff não faz nem uma coisa e nem outra, apenas expõe o ridículo de todos que passaram pelo Circo do Velho Palhaço. O apresentador tinha nada de sutil, mas grosseria demais também cansa. O ridículo bom é o ridículo do outro.

sábado, 17 de outubro de 2009

Crítica: EVA


por Joba Tridente

Em cinema nem sempre a máxima de um é regra geral para outro. Assim, uma câmara na mão e um idéia na cabeça é para bem poucos.

Após a sessão de lançamento do filme EVA, de Arnaldo Belotto, na Cinemateca de Curitiba, a opinião de algumas pessoas sobre o que tinham achado do filme era: Não achei! Precisei sair antes! Não sei! Totalmente desfocado... E a mulher que o tal fotógrafo fica olhando, ele a matou (afogou), se é que ela estava viva (dormindo ou em coma)? Uma resposta estranha marcou: A mulher era a Bela Adormecida à espera dos 7 Anões e como eles não apareceram, ela foi jogada no mar. Nada como juntar dois contos clássicos (Bela Adormecida e Branca de Neve) para explicar o inexplicável.

EVA é um filme mau humorado onde tudo é reduzido ao monossílábico: fala sem sentido, gestos automáticos, “fotos” que dizem nada, atores sem expressão. Problemas técnicos a parte, é difícil encontrar o foco da história, já que o foco do filme perdeu-se desde a abertura. Comprometida a fotografia, os silêncios e os vazios levam o espectador a lugar nenhum. Não são elementos nem pra uma possível reflexão, já que não há empatia alguma com o tal “fotógrafo” e ou com as suas “fotos”. Misturar contemporaneidade (telefone celular) com velharia (telefone com disco) e outras bugigangas (carro, hotel, portas sem campainha...) é uma alegoria que só torna o fardo do espectador ainda mais enfadonho e não uma compreensão da catarse do “herói” inútil.

EVA é uma obra que não ousa na sua experimentação e foge de qualquer conceito de “filme cabeça”, seja bebendo no cinema novo brasileiro ou europeu. Se a “idéia” (argumento) cinematográfica parece curiosa, ao final o espectador está se lixando para os “problemas” (?) do “fotógrafo” chato e a sua vidinha enfadonha. É evidente que um “fotógrafo” desses só vai “produzir” fotos sem graça e a ponto de contaminar até mesmo a equipe técnica do filme. Aí, não é a meta em busca de linguagem, mas a linguagem em busca de meta. O espectador não quer ser palco, quer continuar sendo platéia.

EVA, pelo que li, concluirá com mais dois filmes: um do antes e outro do depois da morte (ou da ausência de vida) da “personagem” título. É esperar pra ver. Quem sabe acaba fazendo sentido.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Crítica: Distrito 9



Na canção O Dia Em Que Faremos Contato, de Lenine e Bráulio Tavares, diz a letra: A nave quando desceu, desceu no morro./ Ficou da meia-noite ao meio-dia. (...) Os homens se perguntaram./ Porque não desembarcaram/ Em são Paulo, em Brasília ou em Natal.

Num futuro passado uma gigantesca nave estacionou no espaço aéreo de Johanesburgo. Muitos se perguntaram o porquê dela pairar justamente ali na África do Sul. Logo descobriu-se que ela estava com problemas mecânicos e em seu interior encontravam-se milhares de alienígenas doentes e subnutridos que, resgatados, foram instalados, provisoriamente, num acampamento. Vinte anos depois o acampamento virou uma fétida favela e os pacíficos alienígenas, que só desejam voltar pra casa, são mal tratados e explorados por todo mundo. Envolvidos com tráficos de armas, se alimentando de comida de gato e de coisas encontradas no lixo, enfrentando todo tipo de discriminação, eles vivem em constante atrito com os favelados sul-africanos. O Distrito 9, gueto em que estão concentrados, é um pavio rodeado de pólvora. O governo, que tem interesses escusos, pra tentar acalmar os ânimos e manter um domínio maior sobre os estrangeiros, decide transferir os ETs para uma outra área.


Distrito 9 (District 9, EUA, Nova Zelândia, 2009), filme de Neill Blomkamp, tem sido visto como uma metáfora ao segregacionismo praticado na África do Sul, até bem pouco tempo, e ainda presente em outros países africanos. O diretor garante que não, mas são claras as referências ao apartheid, ao preconceito exacerbado da população local em relação ao seus vizinhos. Tão sublime quanto a narrativa, aparentemente banal, de alienígenas perdidos no espaço e que acabam se perdendo ainda mais, com a “ajuda humanitária” que recebem dos governantes da Terra, é a forma subliminar em que são introduzidas as questões políticas, corrida bélica, busca da alta tecnologia, miséria, crendices, fome, educação, ciência, populismo de ocasião. Na tela, a explosão racial, o ódio do “humano” pelo “estranho”, vai além da aparência, a sua base é mais embaixo. É a escrita torta, mas por linhas certas.

Distrito 9 é uma obra que inverte os (pré)conceitos dos filmes americanos de ficção científica, onde os ETs geralmente são vilões, ao conceber alienígenas indiferentes aos habitantes e ao futuro da Terra. Assim como em RoboCop, de Paul Verhoeven, os jornais e a publicidade são o ponto alto da narrativa, em Distrito 9 a maior parte do filme é realizada como se fosse um grande documentário, utilizando os mais diversos meios de comunicação e de registro fotográficos..., sem mesmo esquecer a insistente descrição das imagens, comum no jornalismo televisivo. Muitas das entrevistas feitas com sul-africanos, com relação a invasão de “estrangeiros”, são reais.


Distrito 9 é um filme de baixo orçamento, mas de grande impacto visual, e numa projeção única desvela dois grandes artistas sul-africanos: o diretor Neill Blomkamp e o espetacular ator Sharlto Copley, na pele do “boa gente” Wikus Van De Merwe, um tolo e ingênuo agente do governo, que deve convencer os ETs a aceitarem a Ordem de Despejo, e que só se dá conta de estar sendo usado, pelo governo, quando é tarde demais. Com a marca do produtor Peter Jackson, de O Senhor dos Anéis, é um filme aberto a continuações. Se vierem, que mantenham a qualidade, para que não se perca o primeiro encanto.

Crítica: Te Amarei Para Sempre



O cinema já nos trouxe muitas histórias de viajantes do tempo. Algumas fizeram mais sucesso que outras e até viraram filmes em série. Já vimos gente viajando através do tempo pelas mais diversas razões: amor, vingança, ambição, tarefa escolar..., e isso tudo com muito humor ou violência ou amor ou suspense ou terror. Mas, acho que nunca se viu uma história como esta d’A Mulher do Viajante do Tempo, com direção de Robert Schwentke, que ganhou um título terrivelmente piegas: Te Amarei Para Sempre.

Baseado no best-seller A Mulher do Viajante do Tempo (The Time Traveler’s Wife), de Audrey Niffenegger, Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler's Wife, EUA, 2009) conta a estranha e curiosa história Henry (Eric Bana), um sujeito que, a partir dos seis anos de idade, frente a um terrível acidente de automóvel, descobre-se portador de uma anomalia genética que o faz viajar no tempo. Sem ter nenhum controle sobre si mesmo e sobre essas viagens, rumo ao passado ou ao futuro, onde chega sempre nu, Henry acaba conhecendo e se apaixonando por Clare (Rachel McAdams). Ele a reencontra em algumas dessas viagens e enquanto busca a cura, Clare tenta sobreviver à solidão de ter e não ter o seu amado ao seu lado.

Ao ler um conto ou ver algum filme sobre viagem no tempo, muita gente deve ficar desejosa de tal façanha, imaginando tirar algum proveito. Mas, e se o viajante não tiver controle algum sobre essas viagens para o futuro ou passado e tão pouco souber qual é o seu presente? É tentando decifrar esta interessante questão que embarcamos no bonito drama Te Amarei Para Sempre e viajamos sem saber para onde, a reboque de Henry, numa história sedutora e repleta de fantasia, dirigida com eficiência por Schwentke. No entanto, apesar da trama muito bem resolvida, o filme pode não agradar o espectador que gosta de algo mais previsível, de uma história de amor cheia de reviravoltas rumo a um final feliz. Porém, se ele se deixar levar pela fantasia, como se deliciasse com um Contos de Fadas, onde as coisas acontecem assim-assim, sem maiores explicações, vai ter uma surpresa e tanto e vai querer ver outros filmes que parecem iguais, mas que têm um quê de diferente. E viva a diferença!

Projeção Digital


divulgação

Projeção Digital

enviado por Marcus Mello
ao
ALMANAKITO, de Maria do Rosário Caetano

Caros,
Estou encaminhando para a minha lista de contatos a carta abaixo, que está sendo divulgada nacionalmente a partir de hoje. A iniciativa partiu do Fórum da Crítica, que reúne críticos de cinema de todo o país, e pretende sensibilizar os responsáveis pela baixa qualidade das projeções digitais que têm sido verificadas com frequência. No recente Festival do Rio os problemas foram tão graves que os críticos lá presentes decidiram finalmente se manifestar publicamente a respeito. A ideia é repercutir este documento entre o público através da imprensa especializada, para que este quadro lamentável possa ser revertido com a maior brevidade possível.

Abs, Marcus.

CARTA ABERTA
AOS RESPONSÁVEIS PELA PROJEÇÃO DIGITAL NO BRASIL

A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Crítica: Bastardos Inglórios


por Joba Tridente

Todo cinéfilo que conhece os filmes do cinéfilo Quentin Tarantino sabe das suas referências cinematográficas (menos explícitas que as do parceiro Robert Rodriguez?) ou releituras atualizadas de grandes clássicos ou de produções “desconhecidas”. Ele mesmo nunca negou isso e até cita suas fontes. Em Bastardos Inglórios não é diferente, porém mais divertido. Aliás, acho que Quentin Tarantino só se torna interessante quando não é levado tão a sério, assim como os seus filmes de puro delírio. Afinal, o seu negócio é produzir diversão e não dissertação acadêmica.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, EUA, Alemanha, 2009), de Quentin Tarantino, além de divertido, pode ser visto como uma versão alternativa de Operação Valquíria (Valkyrie - de Bryan Singer/2008), entre outras produções cinematográficas sobre a 2ª Guerra Mundial, e até mesmo da verdadeira história desta guerra infame. Num clima de faroeste, bem ao gosto de Sérgio Leone e John Ford, e com as suas melhores canções, a lenda dos Bastardos Inglórios começa com um Era Uma vez... O plano do grupo de soldados americanos judeus é o de matar, com requintes de crueldade, o maior número possível de nazistas, que ocupam a França, e assim espalhar o pânico entre os soldados e o alto comando alemão. A ação suicida dá certo e alguns integrantes do grupo são destacados pra participar de uma operação de extermínio coletivo da alta cúpula nazista, incluindo seu chefe maior, Hitler, durante a estréia do filme NATION’S PRIDE (Orgulho da Nação), numa sala de cinema em Paris.

Ao focalizar a ação numa pomposa sessão de cinema, Tarantino transforma arte cinematográfica (e o próprio cinema) num veículo de criação e destruição da própria arte, já que o filme em questão é sobre os atos heróicos de um soldado nazista que vira astro de cinema, ao interpretar a si mesmo matando centenas de soldados inimigos. Arte ou heroísmo é apenas uma questão de ponto de vista. Palco e sujeito da mídia, desde a sua invenção, o cinema ainda serve aos mais diferentes propósitos, da diversão à propaganda política. Portanto, a catarse dos bastardos vingadores, numa sala de cinema, é muito subjetiva. Mas, eficiente, se possível. Quem não se lembra da trágica noite de 3 de novembro de 1999, quando, na última sessão de Clube da Luta (Fight Club, 1999), numa sala de cinema em São Paulo, o estudante de medicina Mateus da Costa Meira se levantou, sacou uma submetralhadora 9mm e começou a atirar, matando três pessoas e ferindo quatro?

Bastardos Inglórios tem um elenco charmoso, multinacional e afinadíssimo, que vai de Brad Pitt (Aldo "O Apache" Raine) e Diane Kruger (atriz e espiã Bridget von Hammersmark) a Daniel Brühl (militar e ator Fredrick Zoller). Mas o destaque unânime fica com o ator austríaco Christoph Waltz (tenente-coronel Hans Landa) que não rouba só a cena, mas o filme inteiro. Bastardos Inglórios é falado em inglês (britânico e americano), francês e alemão, o que dá mais veracidade e proporciona excelentes tiradas de humor. É um Tarantino mais experiente, mais centrado nos diálogos, nos gestos, nos detalhes muito bem fotografados, mas ainda é o Tarantino com gosto pelas imagens sangrentas, mesmo que num volume menor. O filme, contado em capítulos (será coincidência que A Pedra Mágica, de Robert Rodriguez, também seja em capítulos?), com doses precisas de ação, violência, suspense, paixão, intriga..., tem 2h30, mas passa rapidinho.

Bastardos Inglórios é diversão certa para fãs de Tarantino e também para o espectador que não aguenta mais ver filme de guerra cheio de judeu coitadinho e alemão vítima da situação. Se a vingança é doce ou amarga, saboreada com champanhe, whisky, cerveja ou leite, só aquele que se vinga é que pode dizer. Mas, que o final tão à flor da pele, que não deixa pedra sobre pedra, vai dar a muita gente vontade de aplaudir..., ah, isso vai!

Crítica: 9 - A Salvação


por Joba Tridente

9 - A Salvação (9, EUA/2009), animação dirigida por Shane Acker, é a versão em longa-metragem do seu curta homônimo, de 2004, indicado ao Oscar e ganhador de Medalha de Ouro na categoria Student Awards. O filme, produzido por Tim Burton, trata de um tema exaustivamente explorado pelo cinema nas mais diversas produções: o domínio do homem e do mundo pelas máquinas. A história não é muito original, porém, nesta melancólica fantasia, o que vale não é a história em si, com a sua (eterna) visão pessimista do futuro, mas como ela é contada.

9 - A Salvação narra a saga de nove pequenas e encantadoras criaturas feitas de sucatas e sobras de tecidos diversos, que precisam lutar pela sobrevivência num lugar em ruínas, dominado por um monstrengo feito de engrenagens e ossos. São elas: Nº 1 (Christopher Plummer), um veterano acovardado que se considera líder do grupo e mantém o seu poder opressor com a força bruta do musculoso sem cérebro Nº 8 (Fred Tatasciore); Nº 2 (Martin Landau), o inventor e especialista em reposição de peças; Nºs 3 e 4, os gêmeos que não falam mas que são especialistas em comunicação; Nº 5 (John C. Reilly), o engenheiro inseguro; Nº 6 (Crispin Glover), o artista que pinta exaustivamente sempre os mesmos símbolos; a Nº 7 (Jennifer Connely), a brava guerreira; Nº 9 (Elijah Wood), o último de uma série de nove criaturas, com habilidades diferentes, e o único capaz de conduzir os companheiros na luta final contra as máquinas.

Shane Acker imaginou 9 - A Salvação uma animação em stop-motion, mas, com o custo proibitivo, a opção foi a alta tecnologia que dá cara de stop-motion ao seu deslumbrante e realista desenho. O começo do filme lembra o de Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands-EUA/1990), dirigido por Tim Burton, onde um cientista morre antes de terminar a sua grande obra. Se em Edward Mãos de Tesoura o personagem é criado sem as mãos, em 9 - A Salvação, a nona criatura é criada sem a voz. Nas duas fábulas há algo de trágico, mas por linhas diferentes. Com muitas referências a filmes e a literatura de ficção científica e também a esotérica, 9 - A Salvação é um filme de ação carregado de simbolismo e de forte impacto visual. Centrado num mundo onde os homens perderam suas almas e as máquinas as suas funções, a animação trata de questões pertinentes como: o indivíduo e o coletivo, o poder e a opressão, a vida e a morte, o medo e a perda de si e do outro. É uma obra interessante, porém é mais facilmente digerível por adolescentes e adultos do que por crianças. Mas, nunca se sabe!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Literatura: O Mundo de Gore a Kaufman


capa: Ana Maria Duarte

por Joba Tridente
Tem gente que acha que o curioso filme Mais Estranho que a Ficção, de Marc Forster (Direção) e Zach Helm (Roteiro), bebe no mesmo copo de Charlie Kaufman: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Quero Ser John Malkovich e Adaptação. Será? Para quem não conhece ou nunca ouviu falar, sugiro a leitura de Duluth, de Gore Vidal, lançado no Brasil, pela Rocco, em 1987. Com sua língua afiadíssima Gore Vidal nos oferece a paródia de uma cidade onde tudo, absolutamente tudo, pode acontecer. Ali, as pessoas não morrem, tornam-se personagens de seriado de TV, e os personagens literários se revoltam por ter de viver indefinidamente as mesmas histórias cada vez que alguém abre um livro. Isso quando não pulam de um livro para outro.
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