sábado, 29 de maio de 2010

Crítica: Sex And The City - 2


Sex And The City - 2

Só pra quem é realmente fã e se sente inconsolavelmente órfão do fútil fashionable quarteto de Nova York, formado por Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis) chega aos cinemas o Sex And The City-2 (Sex And The City-2, EUA, 2010).

O filme até que começa prometendo uma boa comédia, com a realização de um escandalosamente ofuscante casamento gay, cujo destaque é Liza Minelli, fazendo um impagável cover do mega-sucesso "Single Ladies (Put a Ringue on It)", de Bioncé. Bem, a gente pensa, agora que acabou a pompa, vamos à circunstância..., vou me acomodar e me divertir por mais umas 2h e 10 minutos. Quanto? 146 minutos? Caramba. Tomara que não seja maçante. Ô boca!!!

Bom, acaba o gracioso casamento gay e as entonas, caem na real. Sem tirar o vestido estiloso e grifoso, começam a desfilar os seus pequenos problemas domésticos, que fazem parecer gigantescos, relacionados, é claro, a seus casamentos e sexo, com um ou outro bonitão, no eterno papel de plantonista penduricalho. Você pensa, bem, talvez seja mais um drama que uma comédia, afinal as jovens senhoras envelheceram (não que fossem adolescentes) e o filme vai tratar da vida como ela é até pra este quarteto, que sempre pareceu viver ao léu, na Terra da Maçã Encantada, certo? Errado, não demora e o tsunami num copo d’água começa realmente a fazer água na pia entupida. E então não há mais dúvidas, você embarcou no camelo errado. Ou será no dromedário errado?


Pois é, dessa vez as "moçoilas" vão tirar férias nos Emirados Árabes, com todas as suas roupas cafonas de marca e mais algumas breguices que compram pelo caminho desertoso, pra esculhambar com as tradições orientais. E assim, do alto do luxuosíssimo hotel Mandarin Oriental Jnan Rhama, de Marrakesh, monologam sobre o vazio sem sexo e bela companhia masculina e moda e maquiagem e alguma tolice sobre o envelhecimento. Ou seja, variações (na ordem?) das mesmas bobagens tratadas nos capítulos da bem sucedida série que caiu no gosto feminino. O problema é que o que soava irônico e engraçadinho, também sobre o mundo masculino, agora envelheceu, perdeu a graça, ficou repetitivo. Principalmente porque, a cada dia, o homem se torna um produto cada vez mais descartável pelas mulheres. Quem tiver paciência vai entender a “piada” na “mensagem final” do capítulo, digo, filme.

Falar da direção de Michael Patrick King, ou mesmo do seu “roteiro”, baseado na série de TV criada por Darren Star, inspirada nos personagens do livro de Candace Bushnell, é jogar palavras fora, mesmo no mundo digital. Enciclopédia do clichê gasto e fora de moda, no rumo do mau gosto, o filme aposta na ignorância e estupidez do espectador (principalmente da espectadora), ao detalhar tim tim por tim tim o agora, o daqui a pouco e o depois. Como se, pra decupar (ou seria desculpar?) a história, fosse preciso mais que 1/4 de neurônio de uma tâmara. E assim, com uma pantomima aqui, uma pastelança ali, descontinuidade geral no ajuntamento de figurantes e ostentação pra todos os lados, quem não se importar com a poeira do deserto, com certeza, ao final de 2h26, vai se sentir o mais imprestável dos não-americanos mortais. É, glamorosidade demais, quando na cansa, mata! De inveja? Bah! Quem sabe o que virá no 3?

sábado, 22 de maio de 2010

Crítica: Fúria de Titãs



Já vi muita leitura cinematográfica sobre o mesmo tema, passíveis de comparação, mas releitura (refilmagem) de obra alheia, que cheira a oportunismo, movido tão somente pela conta bancária, é difícil de comparar. Por pior que seja o original, ele sempre tem mais chances que o suplantador de idéias. Infelizmente não é o que pensam os sobrinhos do Tio Sam, cada vez mais chegados numa cinecópia de obra estrangeira de sucesso. Acostumados a levar vantagem em tudo (impondo suas vontades em quase todo mundo), pensam com o bolso e não com a cabeça e, por isso, em vez de dar asas à imaginação, preferem copiar a criar algo novo, mesmo a partir de uma ideia velha.

Com a (re)tomada dos épicos (futuristas ou não) e a curiosidade sobre a Mitologia Grega, despertada pela série literária infantojuvenil Percy Jackson, do escritor Rick Riordan, a(ssa)ssinada no cinema por Chris Columbus, eis que os EUA resolveram pegar pesado com o Reino Unido. Sem se importar com a memória afetiva de milhões de espectadores, que o tem em alta consideração, decidiram que era hora de (re)mexer no inesquecível Fúria de Titãs (Clash of the Titans – Reino Unido, 1981), dirigido por Desmond Davis. Do filme, que para muitos é um clássico do cinema fantasia e para outros um clássico trash, sobrou pouco. Até mesmo a Coruja (mecânica) Bubo, numa cena de lamentável homenagem e tremendo mau gosto, ficou pra trás. Mas isso é o de menos.

Em Fúria de Titãs (Clash of the Titans – EUA, Reino Unido, 2010), os roteiristas Travis Beacham, Phil Hay e Matt Manfredi, destruiram o roteiro de Beverley Cross (do filme de Desmond) e reinventaram a história e a lenda, retirando e acrescentando o que lhes desse na telha e funcionasse melhor no CGI. Louis Leterrier fez o mesmo, com a direção pífia, se achando um erudito interpretando (à sua maneira) a saga do herói grego para a plebe ignara. Na sua visão trágica, Perseu se torna um caso patológico que Freud e Jung recusariam atendimento (ou seria entendimento?). Pobre herói, como se não tivesse provas suficientemente difíceis pra vencer, lhe arranjaram intrigas com seu pai, seu tio, seu avô... O pior, no entanto, é ainda ser obrigado a vencer o trauma da rejeição, a insignificância humana, os “monstros” reais, totalmente renovados e altamente revigorados, preso entre as dimensões 2D e 3D. Destituído de toda a glória de um semideus, retratado como um imbecil, no lusco-fusco de um simulacro 3D, ninguém merece!


No filme original havia alguma liberdade, sim, mas também respeito e integridade com os mitos. Agora vai tudo pras cucuias, junto com Kraken-CGI. Fúria de Titãs até começa com um belo visual cósmico, com os deuses e semideuses feito constelações. Mas, ao descer (?) até o futurista Olimpo e entrar na Grande Sala dos Deuses, a coisa degringola de vez. A cenografia consegue ser pior (ou mais ridícula) que o Olimpo de Percy Jackson. O hall onde os Deuses ficam expostos (?) em pedestais, parece um salão do saudoso Hotel Glória, em dia de Concurso de Fantasia de Carnaval, onde Zeus, com aquela estilosa roupita prateada, armadura ao gosto de Clóvis Bornay (1916-2005), poderia tranquilamente desfilar como O Esplendoroso Luar sobre a Acrópole, e Hades seria O Voo Divino da Mariposa Vespertina. Ora, até os Deuses merecem respeito! Será que não foram afrontados o suficiente, quando tiveram suas “identidades” cortadas e (re)cobertas por folhas de parreira, pela Igreja dominante que se apoderou de suas imagens?

Bem, continuando, se para amantes e estudiosos da Mitologia Grega o primeiro filme cometia pequenas infrações, até perdoáveis, a nova versão foi longe demais. Só não mudou o nome dos personagens. No resto, mexeu o quanto pode na narrativa clássica, transformando Perseu, o filho de Zeus e Danae, filha de Acrísio, Rei de Argos, num sem-pai e sem-mãe, e, depois, em sem-família, sem-barco, sem-mar, sem-peixe, sem-teto, sem-terra, sem-amigo, sem-amor..., movido a vingança e desdém aos Deuses. Isso tudo antes de casá-lo com uma mulher que nem faz parte da história. Não é à toa que ele vira um sujeito com irritante crise de identidade. Como o filme é de ação e aventura e não boa comédia (apesar do sugestivo roteiro) o que se vê na tela, entre um desfoque e outro do 3D, é só muita correria e pancadaria. Acho que Leterrier deve ter se espelhado mais no tolo Percy Jackson do que na produção de 1982. Cara esperto, esse incrível diretor de Hulk, digo, diretor do Incrível Hulk (2008), pegou a história de um e adaptou no filme do outro. Hmmmmm!

Deixando de lado a farsa do 3D, a produção de Fúria de Titãs é fantástica. Pena que Louis Leterrier (e equipe) tenha se preocupado (e se divertido) mais em criar cenários suntuosos, encontrar locações perfeitas e usar efeitos especiais realmente impressionantes (excetuando o Olimpo) do que em (re)contar uma boa história. E não foi por falta de elenco: Sam Worthington (Perseu), Liam Neeson (Zeus), Ralph Fiennes (Hades), Mads Mikkelsen (Draco), Gemma Arterton (Io), Alexa Davalos (Andrômeda). Poderia ser um filmaço, se a narrativa fosse original. Por outro lado, quem não conhece (?) a lenda ou o filme de Desmond Davis, com os efeitos em stop-motion, do mestre da animação Ray Harryhausen, pode até gostar, se assistir em 2D. Tem gosto (e cinema) pra tudo!

Cadu Simões, do site Nova Helade, postou uma excelente matéria comparativa sobre Fúria de Titãs.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Crítica: AMELIA


AMELIA

Na vida podemos ser mais do que passageiros. Amelia Earhart

E no cinema, é preciso ser mais que mero espectador para apreciar esta, digamos, cinebiografia de Amelia Earhart (1897/1937), dirigida por Mira Nair? Parece que sim. Amelia, famosa nos EUA, mas (acredito) desconhecida nas terras tupiniquins, menos, é claro, pelos estudiosos da História da Aviação, foi a primeira a cruzar o Atlântico, como passageira, e depois pilotando um pequeno avião, em 1928. Era uma mulher independente, voluntariosa, determinada, para quem nem o céu era o limite. Mas, décadas depois do seu desaparecimento, o sonho desta aventureira, que buscava ser a primeira aviadora americana a dar a volta ao mundo, ganha as telas de cinema num filme enfadonho que (parece) não faz jus ao seu pioneirismo.

Amelia (Amelia - EUA, Canadá, 2009), a princípio, tem cara de ser um típico filme “de mulher pra mulher”, mas, fruto de um roteiro horroroso e direção equivocada, não tarda a causar sonolência. A promessa de exaltação ao feminismo vira uma nota de rodapé. Estrelado por Hilary Swank (Amelia), o filme, que tem cara de especial biográfico pra TV por assinatura, ao retratar o dinamismo de uma mulher apaixonada por aviões, não consegue alçar voo. A tentativa (confusa) de pontuar momentos da sua vida, entre 1928 e 1937, é realizada de forma tão branda e burocrática que a gente só vai saber o tipo de relação ela teve com George P. Putnam (Richard Gere), um magnata do mercado editorial, e com o empreendedor Gene Vidal (Ewan McGregor), quando o avião já está voando longe. São tantas as idas e vindas, num céu nem sempre de brigadeiro, entre risos e sorrisos, daqui e dacolá, que as suas aflições e tumultuados acordos publicitários parecem não ter passado de brincadeiras em nuvens de algodão doce.

Baseado nos livros East To The Dawn, de Susan Butler, que explora o caso secreto de Amelia Earhart com o aviador e empresário Gene Vidal, e The Sound of Wings, de Mary S. Lovell, focado na relação de Amelia com o marido e a publicidade, Nair se propôs a contar “uma história de amor e uma aventura de ação para toda a família, sobre uma jovem mulher que rompeu barreiras e teve muito a oferecer a inúmeras pessoas”. O difícil (pra não dizer impossível) é encontrar a história de amor, aventura e ação num filme que, de tão linear, num vôo em linha reta, chega a lugar nenhum. Excetuando a fantástica reconstituição de época e a rusticidade na bela fotografia de Stuart Dryburgh, não há o que destacar, já que Amelia, mesmo a bordo de um original Electra, não empolga e as personagens, com o seu indefectível sorriso amarelo, não criam qualquer empatia. É tudo muito pastel, exageradamente contido. O que é uma pena. Com um pouco de ousadia teríamos uma excelente realização. Um filme pra voar longe. Com ou sem enjôo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crítica: Chloe - O Preço da Traição


Chloe: Julianne Moore e Amanda Seyfried
Chloe – O Preço da Traição

Chloe é o mais recente trabalho do diretor Atom Egoyam. Um observador mais dedicado o reconhecerá, de imediato, como uma (per)versão canadense de Natalie X, (Natalie..., França, 2003) produção dirigida por Anne Fontaine, com Fanny Ardant (Catherine), Gérard Depardieu (Bernard), Emmanuelle Béart (Natalie), nos papéis que agora são de Julianne Moore (Catherine), Liam Neeson (David), Amanda Seyfried (Chloe).

Chloe, que por aqui, na terra dos (repe)títulos bizarros, virou O Preço da Traição (que já é título de Mulholland Falls, policial com Nick Nolte, dirigido por Lee Tamahori, em 1996) tem dividido opiniões. A sua trama, com pinceladas de melodramática sensualidade e algumas pitadas de thriller, toca uns e não convence outros. É um filme que trabalha com a arte da imaginação de Chloe, Catherine e do espectador que, se não aceitar as regras do jogo de palavras, digamos, um tanto masoquista, entre as duas, vai se decepcionar. Se bem que, se ficar atento, vai matar (ops!) a charada no primeiro encontro e dar o xeque-mate no terceiro, mesmo não tendo visto Natalie X. Aí, a história das belas Julianne e Amanda perde toda a graça.

Catherine (Juliane Moore) é uma famosa ginecologista, casada com David (Liam Neeson), professor universitário, e mãe de um filho adolescente que a trata mal, sem nenhuma razão aparente. Na manhã seguinte ao aniversário de David, ela casualmente encontra no celular do seu marido, uma mensagem enviada por uma jovem. Uma ou mais amantes explicaria a perda do desejo sexual dele. Catherine contrata os serviços de uma prostituta chamada Chloe (Amanda Seyfried), pra seduzir o marido e descobrir a verdade. Chloe relata, com minúcias, cada encontro com David. As detalhadas narrativas sexuais da prostituta provocam desconforto e prazer em Catherine, que se envolve mais e mais com os relatos, sem se preocupar com os sentimentos da garota ou se está indo longe demais.

O Preço da Traição (Chloe - EUA, Canadá, França, 2009) tem uma produção bem cuidada e Julianne, cada vez mais linda e sempre competente, tira de letra um papel carregado de nuances. Amanda é uma bela garota, boa atriz, mas lhe falta o que sobra em Moore, sex appeal. E a personagem de Liam Neeson (David), objeto de desejo sexual das duas mulheres, é um sujeito apático até nas relações sexuais. Talvez por conta de um roteiro fraco, a impressão é a de que Atom perdeu a mão e noção no meio do caminho. O que poderia ser interessante discussão sobre as vias do desejo e do prazer presente e ou inconsciente, acaba ficando sem rumo, um coito interrompido. E o sexo, ausente na ação e onipresente na palavra, glorifica e crucifica a libido, condenando a todos ao limbo. Se na lógica cristã, onde há arrependimento, há perdão, aos eunucos será restituída a força. O que explica o teor morno e automático do desnudamento e da simulação sexual. Idiossincrasia do diretor ou malevolência de uma história rala que, a certa altura, parece que vai (re)virar um Atração Fatal (Fatal Attraction - EUA, 1987, dirigido por Adrian Lyne, com Glenn Close e Michael Douglas? A bem da verdade, acho que uma coisa e outra, já que segue pra um apoteótico final patético, apostando num clichê frouxo, bem ao gosto da tradição, família e patrimônio.

Natalie…: Fanny Ardant e Emmanuelle Béart

A refilmagem é o “gênero” mais difícil pra um diretor de cinema. Se é sua a iniciativa de refilmar (o que duvido!) é porque não gostou de algo na direção do filme alheio e acha que pode fazer melhor. Muita pretensão! Se o interesse é do estúdio, parece que o diretor escolhido pra tal proeza (mesmo que tenha feito bons filmes) ainda não tem competência pra autoria. Ou seja, continua de segunda! Um diretor que “cai” nessa, sempre corre o risco de encontrar um espectador que viu o filme original e fará inevitáveis comparações, raramente pra melhor.

domingo, 16 de maio de 2010

Crítica: Robin Hood


Robin Hood
como nunca se viu

No mundo tem Robin Hood pra todos os gostos: da literatura ao teatro, do cinema à TV. Cada um aos modos de seu realizador, para o bem ou para o mal da lenda. No cinema se destacam o clássico As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, EUA, 1938), de Michael Curtiz e William Keighley, com Errol Flynn (Robin) e Olivia de Havilland (Marian); o divertido: Robin Hood (Robin Hood, EUA, 1973), animação da Disney, em que Robin e Marian são raposas, dirigida por Wolfgang Reitherman; o romântico: Robin e Marian (Robin and Marian, EUA, 1976), de Richard Lester, com Sean Connery (Robin) e Audrey Hepburn (Marian); o meia-boca: Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves, EUA, 1991) - Kevin Costner (Robin) e Mary Elizabeth Mastrantonio (Marian), dirigido por Kevin Reynolds; o maluco: A Louca História de Robin Hood (Robin Hood: Men in Tights, EUA, 1993), com Cary Elwes (Robin) e Amy Yasbeck (Marian), na cômica visão de Mel Brooks. Mas, nada se compara à versão épica do mítico herói inglês, com Russel Crowe (Robin) e Cate Blanchett (Lady Marian), de Ridley Scott, que chegou pra ser um novo começo de saga.

As adaptações anteriores têm uma introdução rápida do herói (voltando pra casa) e, então, os rotineiros saques, duelos, Príncipe João, Xerife, Coração de Leão etc. Este Robin Hood, de Ridley Scott, com roteiro de Brian Helgeland, é um longo prólogo que termina onde os outros começam. Por enquanto, Robin é Robin de Lockstride e não voltou pra roubar dos ricos para dar aos pobres. Quer dizer, mais ou menos. Ele até faz jus a fama, ao “recuperar” algumas sementes sequestradas da propriedade de Lady Marion Loxley, em Nottingham, pela Igreja Católica, e pouco antes de chegar ali se apossa de alguns bens. Porém, tudo em boa causa (própria).

Robin é um arqueiro que luta bravamente ao lado de Ricardo Coração de Leão e, após a morte do rei, deserta, com quatro amigos. Na estrada encontra um moribundo que pede pra ele levar a coroa do rei morto, pra Inglaterra, e uma espada ao seu pai, Sir Walter Loxley (Max von Sydow), em Nottingham. Robin entrega a coroa e João Sem Terra (Oscar Isaac) é coroado. Ao devolver a espada ao Sir Walter, é convidado a ocupar o lugar do seu filho, que era casado com Lady Marion. Ele acaba se envolvendo com Marion, guerra civil e invasão francesa. Só depois disso tudo, possivelmente no Robin Hood – 2, é que veremos se o fora-da-lei, que virou lenda, em algum momento entre os séculos XII e XIII ou XIV e XV, continua (ou inicia a sua saga) fora-da-lei. Ah, especula-se que teria vivido por volta do século XII.


O título poderia muito bem receber um complemento: Robin Hood - A Origem, aproveitando a onda de origens (e “origens”) que tomou conta das HQs e filmes de super-heróis. Se bem que, com tanto herói perdendo a identidade, por conta dos intermináveis começos e recomeços, é melhor deixar como está. O lendário Robin, na narrativa de Scott, continua sendo um bom sujeito, mas sem a alegria e a sagacidade habituais em outras telas. É um arqueiro (cheio de ressentimentos) quase taciturno, que lutou e não gostou do viu e fez nas Cruzadas. Um cara que lembra Maximus (Crowe), o herói de Gladiador (Gladiator, EUA, 2000) e está muito próximo de Balian (Orlando Bloom), herói de Cruzada (Kingdom of Heaven - Espanha, EUA, Inglaterra, 2005), com suas preocupações político-religiosas. Assim como Balian, Robin bota lenha (com gosto) na fogueira da tirania católica com suas imperdoáveis atrocidades em nome do seu deus.

Na internet se lê muita bobagem sobre esta nova versão. Cobram (onde já se viu?) veracidade com a lenda (conforme apresentada em outros filmes) e coerência com alguns fatos históricos, que estão sendo revistos por historiadores. Ora, lenda por lenda, dúvida por dúvida, que viva o espetáculo, até que se chegue (ou não) a um consenso! Quem não tem o que dizer se incomoda até com a idade de Russel Crowe, como se os outros Robin Hood fossem muito mais novos. Sean Connery que o diga! Esta (re)leitura de Scott, que jura fidelidade histórica (bem, ele é inglês!), é muito melhor do que sugeria o trailer. Pode não ser muito convincente uma Lady Marion tão independente, dando uma de pré Joana d’Arc (Jeanne d’Arc - 1412-1431), mas, sei lá, desde que o feminismo “venceu” (em Hollywood, ao menos), as mulheres viram heroínas, a tordo e a direito, do passado ao futuro, ainda que o macho-falocratismo reine, enfrentando todo tipo alienígena na Terra ou no Céu.

Robin Hood é excelente, factual ou não. Um entretenimento garantido e com ótimas sequências de lutas, mais aprimoradas que em Gladiador e Cruzada. A quantidade de soldados que Ridley coloca em cena de batalha, ocupando cada milímetro da tela, aproximando o espectador da luta, é cada vez mais impressionante. Ponto para a fotografia de John Mathieson. É um filme pra quem gosta de ação e aventura, que vai ao cinema pra se divertir e não pra assistir aula de história geral. Tem alguma graça (não hilária) e pode até agradar o público feminino, apesar do ar pouco romântico. Gostar do ator e diretor já é meio filme projetado, se não, nem a cena de um Russell Crowe, com a sua cara de mamãe quero colo, exibindo um inacreditável e volumoso torso nu, dá jeito.

Com tantas lendas retornando, o que impedia Robin de voltar? Nada! Só o fato de não ser mais uma refilmagem do mesmo, já vale o ingresso. É provocativo (que o diga os pesquisadores), novo, simpático, crítico, muito bem realizado e com ótimas performances. Pra que mais?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Crítica: Coração Louco


Coração Louco

Este não é um lugar para os fracos/ Não é um lugar para os que perdem a cabeça/ Nem um lugar para ficar para trás/ Levanta teu coração cansado e faz um último esforço - The Weary Kind (tema de Crazy Heart).

Coração Louco (Crazy Heart, EUA, 2009), drama dirigido por Scott Cooper, não tem um roteiro dos mais originais. Um cinéfilo (mais ou menos atualizado), com certeza, se lembrará do assunto em uns dois ou três filmes recentes, com destaque para O Lutador (The Wrestler), com Mickey Rourke, dirigido por Darren Aronofsky e ou Johnny & June (Walk the Line) com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, dirigido por James Mangold..., e mais alguns anteriores. Mas isso é o que menos importa. Todos sabem que o norte-americano é especialista em filmes que exploram temas altruístas e de superação, em qualquer área profissional, mas principalmente na música e nos esportes. E, também, adora se repetir ou disseminar a mesma idéia, mundo afora ou EUA adentro.

Fui bendito e maldito, mas todas as minhas mentiras foram ditas sem ensaio - Bad Blake

O filme, com roteiro do próprio Cooper, baseado no livro homônimo de Thomas Cobb, narra a descida ao inferno e a redenção de Bad Blake (Jeff Bridges), um decadente compositor e cantor country que, a cada dia, se afunda na bebida e no cigarro. Blake, de 57 anos e alguns casamentos, “vive” de um passado de alguns sucessos, que poucos se lembram. Com seu humor caótico e mesmo tendo a possibilidades de uma vida artística melhor, prefere continuar “dono” do seu próprio nariz, se aborrecendo com as parcas e bêbadas apresentações (que mal pagam o seu vício) em bares, cervejarias e qualquer outra espelunca que se interesse em contratá-lo. O público da sua “turnê” é minguado e tão velho e saudosista quanto ele, porém conhece seus antigos hits. Dependendo do teor alcoólico, suas apresentações vão do divino ao desastroso. Em plena derrocada, Bad conhece uma jornalista, Jean (Maggie Glyllenhaal), interessada em entrevistá-lo. Uma oportunidade real para rever seus conceitos de vida e de ressurreição no meio artístico.

Apesar do foco na dependência do álcool e do cigarro, este é um drama com uma pegada mais leve. Mesmo sem flertar com a comédia óbvia. Não deixa de ser uma produção enaltecedora dos valores humanos, tipicamente americana e até descartável, mas é, também, terna, envolvente, pelo ator e pela musica que a embala. Bridges, vencedor do Oscar de 2009, está em muito boa forma e, na maturidade, me convenceu mais que na juventude. A sua performance de Bad Blake, um músico em crise profissional e social, com seus altos e baixos, é equilibrada, convincente. Irretocável. Ao evitar clichês e pieguice, apostando num final diferente, mas não surpreendente, Cooper ganha o espectador pela discreta direção.

Um outro destaque é a fotografia de Barry Markowitz, que enche os olhos, com as belas paisagens do oeste americano, essenciais na construção da história de um lobo solitário, que não sabe quando deixou de se preocupar com a matilha que, agora, lhe faz falta. Coração Louco não é um musical, mas tem excelente trilha sonora repleta de country rock, bem ao gosto de T Bone Burnett, (em parceria com o genial músico Stephen Bruton) responsável, entre outros, pela trilha de Johnny & June. A maioria das canções é interpretada pelo próprio Jeff Bridges. Mas é bom que se diga, apesar do grande número de composições apresentadas, apenas o tema do filme é mais ou menos traduzido e legendado. Uma prática muito comum no Brasil, onde os tradutores devem achar que legendar músicas é crime. É pura ignorância ou muita estupidez.

Para se ambientar no mundo de Bad Blake, e de muitos outros músicos, vale ressaltar o que disse, pouco antes de falecer, no final da produção, em 2009, o músico Stephen Bruton, que conhecia muito bem a difícil rotina de turnês: Nada é real, exceto as apresentações. Você não tem qualquer responsabilidade pelo que fez no dia anterior e isso parece uma coisa sensacional durante algum tempo. Mas isso pode facilmente se transformar em um estado em que seu amadurecimento fica suspenso. Em algum momento da vida, você tem que passar através do espelho.

Ao conhecer Bad Blake e seu coração louco, qualquer artista itinerante vai se sentir um pouco ele. Talvez não pela regra do vício, mas porque, até nas exceções, o preço pelo prazer do fazer arte é alto e poucos estão dispostos a pagar.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Crítica: Viajo porque preciso, volto porque te amo


Viajo porque preciso, volto porque te amo

Viajo porque preciso, volto porque te amo . A frase, pintada numa parede, poderia estar no para-choque de um caminhão. Ou na letra de uma música romântica. O experimental filme de Marcelo Gomes e Karin Aïnouz é uma ficção com cara de documentário com cara de ficção. Um híbrido pé na estrada, onde um acervo de fotografias, músicas, textos, cartas e anotações fazem mais que meramente ilustrar um roteiro de inesperada beleza.

Construído a partir de imagens captadas entre 1999 e 2009 (pelos diretores), através de variados tipos de câmeras (Super 8, DVCam, High 8, “snap shots”), a narrativa roda em torno de um geólogo, José Renato (Irandhir Santos), fazendo pesquisa de campo, para avaliar o possível percurso de um canal a ser construído com o desvio das águas do único rio caudaloso da região. Para tanto, terá que atravessar todo o Sertão Nordestino. A viagem solitária é longa o suficiente para José refletir sobre o seu trabalho e, principalmente, fazer declarações de amor (A única coisa que me faz feliz, nessa viagem, são as lembranças de ti) e desamor (A única coisa que me deixa triste, nessa viagem, são as lembranças de ti) a uma mulher que gostaria que estivesse à sua espera. Ele “colhe” pedras e analisa fendas. Ela “colhe” flores e é apaixonada por samambaias. Não sabemos como é seu tipo físico. Dele, só ouvimos a sua voz falando a um gravador (ou ao carona espectador), sobre tudo o que lhe parece importante: paisagens, gentes, fendas, amor, rochas, solidão, prazer..., num itinerário que parece não ter fim, rasgando regiões semidesérticas e isoladas.

Viajo porque preciso, volto porque te amo é uma viagem sensorial inesquecível, ao âmago de um homem apaixonado por uma mulher e pelo seu trabalho. Uma obra que desperta sentimentos controversos, ao provocar o olhar do comum. Pela simplicidade poética. Pela poesia musical do simples. Pelo excesso do vazio. Pelo contexto fora do contexto, quando o pré-conceito encontra distância suficiente para se desvelar. Quando Caetano Veloso gravou a música Sonhos, de Peninha, numa versão intimista, para muitos a composição desconhecida (?), que já havia sido gravada por Tim Maia e Sandra de Sá, inesperadamente deixou de ser brega. Críticos analisaram a letra e a acharam boa e também elogiaram (com gosto) outra composição (considerada) brega, que virou cult, na voz de Maria Bethânia: É o Amor, de Zezé de Camargo. Então se propalou que todo apaixonado é brega, que todo bom sentimento é brega. Que as rádios estão repletas de música brega em ritmo de rock, pop, samba, mpb, clássico... O brega virou apenas uma questão de ponto de vista e de estado de espírito. Assim é, quando um sapateiro canta Último Desejo, de Noel Rosa, espalhando, pelo cascalho afora, a desbragada paixão de alguém que segue em frente, na busca de um amor que ficou atrás.

O filme, na verdade, só acontece com a conivência do espectador que embarca na viagem proposta, disposto a aceitar a legenda do narrador, no encadeamento do texto-imagem, mesmo que possa sugerir outra coisa. Sem um texto, ele é apenas um ajuntamento de imagens que permitem infinitas leituras, menos a de quem fotografou. Podem significar muito ou nada, dependendo do olhar. Com um texto, o espectador vê tão somente aquilo que elas insinuam. É a encantadora cena de uma senhora, fazendo rosas de espuma, que nos faz perceber que o motivo da história está mais na sugestão, na intenção (ou tensão) da fala, do que necessariamente na leitura das imagens que, em outras circunstâncias, estariam disponíveis para qualquer outro monólogo..., ou diálogo.

Com vagas (mas fortes) lembranças dos inquetantes Cinema, Aspirinas e Urubus e o Céu de Suely, o lírico Viajo porque preciso, volto porque te amo é uma tocante história pra quem gosta de ler e (também) de escutar. Mas não é para o espectador ligeiro (ou talvez seja), que não se dá um tempo, que atende e fala ao celular, na sala de cinema. Que não tem paciência para, na pausa ou no silêncio, conhecer o que lhe é diferente. É um filme pra se deixar emocionar, com sua fotografia monótona, cheia de particularidade, desvelando um Brasil longe de tudo, até de si mesmo. Com uma gente que não se conhece, atrás de um sonho que não chega. Gente que é feliz na sua solidão. Gente que nega a solidão pra ser feliz. Encontrando cidades à espera de virar mar, desaparecer em águas que podem nunca chegar. Vagando por estradas que levam e trazem anônimos na sua própria terra. O espectador que recusar tal carona, jamais compreenderá o belo voo final, na rota do autoconhecimento.

Nota: Cinema, Aspirinas e Urubus foi dirigido por Marcelo Gomes, em 2005, e Céu de Suely, por Karin Aïnouz, em 2006.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Crítica: A Casa Verde


A Casa Verde
um filme que não amadureceu

A Casa Verde é uma produção dirigida ao espectador infantojuvenil. Um eco-filme, embalado (e embolado) num clima de sustentabilidade, à espera do sinal abrir, em meio a uma encruzilhada cinematográfica: fazer ou não fazer filmes para um público negligenciado por importantes diretores, mas que poderá ser platéia amanha? Se bem que a questão não está apenas no fazer, mas no fazer com qualidade, para que a criança e o jovem peguem gosto pelo cinema brasileiro.

Dirigido por Paulo Nascimento, a narrativa inicia-se com um desenhista (Nicola Siri) de história em quadrinhos sofrendo de um bloqueio criativo, por não conseguir dar atenção à sua namorada e ser pressionado pela sua editora, por causa do atraso na entrega do trabalho. A HQ é sobre um cientista e professor (Lui Strassburger) que inventa um reciclador de lixo. Ao perceber que o novo invento contraria os seus interesses, de cobrar pela coleta de lixo da cidade, Jordão (Zé Victor Castiel), com a ajuda da sua assistente Gigi (Ingra Liberato), sequestra o inventor e exige que a máquina seja destruída. Pra salvá-lo, uma garotinha, Nerd 1 (Alice Nascimento), aluna dele, pede ajuda ao avatar “Eu” (Fernanda Moro), criado por ela, a dois catadores de lixo, Escova (Marcos Verza) e Sabão (Jeffersonn Silveira), e a Leonardo Del Vinte (Leonardo Machado), um alquimista de quinhentos anos. Os personagens tentam convencer o desenhista ajudá-los e como não conseguem, acabam tomando conta da HQ e passam a agir por conta própria.

A Casa Verde é uma aventura que parece ter ficado pela metade em tudo. A proposta de misturar linguagens, texturas e efeitos especiais, tendo como pano de fundo uma história em quadrinho, apesar de não ser original, não é das piores, o problema é a sua realização, já que o roteiro é simplório. O engajamento na linha eco-institucional é rasa. Não se destaca um ator, no festival de caricaturas, em meio a canastrice generalizada. O velho efeito de rotoscopia está abaixo do razoável ou ainda nos primórdios da técnica. Dificilmente alguém vai achar, imaginar, acreditar, pensar que aquilo lembra algo parecido com animação. Quanto à “trilha sonora”..., bem, é melhor nem tocar no assunto. Entre tantos equívocos, o mais incômodo é o seu didatismo infantiloide, no estilo “teatrinho” infantilzinho pra criancinha do ensinozinho fundamentalzinho. O que é uma pena.

É claro que esta é a opinião de um adulto acostumado a consumir arte (de qualidade) acessível a qualquer público, mas que (aqui) não conseguiu se sentir criança pra curtir algum momento do filme. Outra frustração foi não ter a oportunidade de entrevistar as duas únicas crianças presentes na sessão do Clube do Professor, com meia dúzia de “espectadores” pingados. O que não é nenhum segredo. Professor detesta filme brasileiro, principalmente infantojuvenil. Isso eu já pesquisei! Uma ironia, já que a primeira impressão (e a que fica) é a de uma produção paradidática a serviço dos mestres do ensino fundamental, na explanação básica (mesmo) da sustentabilidade. A “discussão” do tema é tão básica que dura poucos minutos. Mal um personagem inventa uma máquina de reciclar lixo e explica o seu funcionamento..., é sequestrado. O resto da história gira em torno da sua libertação.

Sem muita convicção sobre o assunto tratado, o filme de (quase nenhuma) ação e (pouca) aventura é politicamente correta (até demais), mas lhe falta magia, fantasia, humor. A não ser que se considere a presença dos tolos avatar “EU” (codinome de Nona Lisa) e Leonardo Del Vinte (codinome de Leonardo da Vinci) como “coisa” mágica, fantasiosa e engraçada. O que não ocorre a nenhum dos dois, pela falta de “brilho”, de carisma, de veracidade. E já que a idéia é falar de reciclagem, o autor (do filme ou da HQ?) podia começar tirando as enfadonhas crianças (tongas) da frente do computador, na sala lúgubre, e devolvê-las (por um bom tempo) à Natureza. Nada como um banho de ar livre pra recarregar as energias e avivar a criatividade. Quem sabe, assim, quando fossem obrigadas a ficar longe da tela e dos teclados do computador, pudessem se ocupar transformando muita coisa, jogada no lixo, em brinquedos e até em objetos de arte.

Em entrevista realizada durante a Mostra de Cinema Infantil, em Florianópolis, em 08 de julho de 2009, publicada no site do MinC, por Narla, o diretor do filme A Casa Verde, Paulo Nascimento disse: O principal motivo de trabalhar para este público é o prazer pelo resultado, como este aqui na Mostra de Cinema Infantil, você viu o envolvimento das crianças. Ficamos sempre naquela apreensão se eles vão curtir, se a criançada vai entender. Na verdade, é muito mais intensa a relação de quem faz cinema para criança do que para o público adulto normal, e é muito bom ver e sentir esse envolvimento dos pequenos… Como disse um garoto na pré-estreia, aqui em Florianópolis: “eu não tenho perguntas, só quero que vocês continuem fazendo filmes como esse”. Isso é muito mais gratificante. (...) Eu, para adolescente, não me meto a fazer porque aí eu já acho muito perigoso… (risos). Mas para criança também é difícil, porque a gente não sabe qual é o timing… Mas quando dá certo é maravilhoso!

É isso, já que não toca (e não é essa a intenção) os adultos, tomara que realmente toque os pequenos. Afinal, eles são o público alvo. Segundo o diretor Paulo Nascimento, junto com o lançamento de A Casa Verde, nos cinemas, será lançada nas bancas de todo o país, uma revista-pôster, com uma versão reduzida do filme (50 minutos), com acessibilidade para deficientes visuais. E, através do site (?), uma criança vai poder baixar o filme, de cinco em cinco minutos, a partir da estreia no cinema. Ela interage, responde a um questionário sobre o meio-ambiente, e em três meses baixa ele completo.
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