quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Crítica: Os Estagiários


Ainda não é o filme sobre o Google, que muita gente gostaria de ver (inclusive eu, que achei insuportável Rede Social), mas não deixa de ser uma brevíssima amostra, mesmo com grande liberdade “poética”, do que pode vir a ser.

Quando se trata de filme norte-americano tipo disputa (colegial), a variação é mínima, nos grupos que concorrem a um prêmio (emprego, universidade, time), geralmente formado por personagens da mesma faixa etária. No grupo “a” (o favorito!) um personagem inteligente, porém arrogante (que se sabe como vai terminar) comanda seus “amigos” subservientes. No grupo “z­“ (o azarão!) um personagem esforçado, porém simpático, “lidera” seus companheiros igualmente excluídos. As equipes entre “a” e “z” nunca têm importância, pois a disputa é entre a “melhor” (que sempre se dá mal) e a “pior” (que sempre se dá bem). Às vezes o final surpreende, contrariando o clichê, como em Universidade Monstros. Mas, no geral, a regra do jogo é a mesma: disse me disse, puxada de tapete, bullying, trapaça..., até o final (evidentemente) feliz. Mensagens edificantes sobre aprendizado, amizade, confiança, superação etc, não faltam na premiação dos ex-fracassados!

Os Estagiários (The Internship, EUA, 2013), dirigido por Shawn Levy, é uma comédia mediana que não foge a nenhum clichê do “gênero” competição. Muda-se apenas algumas características físicas e psicológicas dos competidores e a locação. A história juvenil gira em torno dos quarentões desempregados Billy McMahon (Vince Vaughn) e Nick Campbell (Owen Wilson) que, tendo nada a perder, se inscrevem, como estagiários, em um concorrido programa de habilidades que oferece vagas no Google. Os dois “analfabetos digitais” que, a exemplo de Alexandra Owens (Jennifer Beals), de Flashdance, citada por Billy, não desistem de seus sonhos, vão ralar um bocado, para serem aceitos e competir “de igual” com os jovens geeks.


Liberdades “corporativas” à parte, Os Estagiários, escrito por Vince Vaughn e Jared Stern, vale mais pela viagem turística ao sistema Google, do que pela sua trama simplória. Nem mesmo o humor rende o esperado. Se muito, fica ali no engraçadinho e bobices nerdianas para adolescente “Y”. Tampouco a ingenuidade da dupla protagonista convence (não saber sobre X-Men?). Até a dissecação dos neologismos do Google (Nooglers, Googliness) é mais engraçada que a maioria das falas e ou tiradas (sobre idade, gosto musical e cinematográfico).

A narrativa tenta um diferencial (mesmo que rápido) no confronto de gerações (e aptidões), mas a previsibilidade fala mais alto e nem personagens psicologicamente “curiosos”, como Yo Yo (Tobit Raphael), um jovem sob pressão maternal, e ou Stewart Twombly (Dylan O'Brien), o geek obsessivo, escapam da simplificação. É tudo muito certinho..., e o que está fora de ordem acaba se ajustando antes do clichê final. Em alguns momentos a trama me pareceu próxima a Os Picaretas, só que, infelizmente, sem a ousadia e genialidade Frank Oz (direção) e Steve Martin (roteiro).


Os Estagiários tem boa produção, bom elenco (formado por jovens atores), argumento razoável..., mas não surpreende..., não arrebata.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Crítica: Flores Raras


Por mais que se deseje eterno, o amor vagueia transitivo mesmo nas (in)conveniências. Por mais que se deseje terno, o amor estanca intransigente nas relações afetivas. Quando o “ter” sufoca o “ser”, o verbo não pode mais ser conjugado. Na vida (e na arte) o amor parece fadado a ser objeto para toda digressão do outrora estabelecido e do que se quer rotina.

Flores Raras (Brasil, 2013), dirigido por Bruno Barreto, é um bonito drama sobre o amor entre duas mulheres e sobre a paixão e o rigor delas pelo trabalho: Lota de Macedo Soares (1910-1967), urbanista e paisagista brasileira, e Elizabeth Bishop (1911-1979), poeta norte-americana vencedora do Pulitzer e do International Neustadt Prize for Literature. O palco maior do conturbado romance é o Rio de Janeiro dos anos 1950 (da bossa) aos 1960 (da mpb), onde, em meio à efervescência cultural e política, Lota planeja espaços públicos e Elizabeth versos intimistas. Entre elas a paisagem como fonte de inspiração de parques e poemas. Entre elas a paisagem (re)virando (a) prosa.

Apoiados no livro Flores Raras e Banalíssimas - A História de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop, de Carmen Lucia Oliveira, os roteiristas Matthew Chapman, Julie Sayres e Carolina Kotscho trazem a foco não apenas os percalços de uma vida a duas, mas também a três, já que Lota (Glória Pires) e Bishop (Miranda Otto), ao que se vê, “compartilharam” a incômoda presença da frustrada Mary Morse (Tracy Middendorff), ex-namorada de ambas e de quem Lota não conseguia se separar. O que dá à trama ares patéticos.


Apesar de intenso, Flores Raras não é um filme intrusivo. A direção elegante de Barreto, com seus deliciosos floreios sensuais, arrebata até os mais distraídos ao tema complicado pela sociedade e seus valores machofalocratas. Até mesmo ao tangenciar a efervescência cultural e política, o diretor o faz moderadamente e sem ranço ideológico.  Mesmo porque não há razão para ater-se em demasia aos rumos do modernismo ou do governo de Carlos Lacerda (Marcelo Airoldi) e do golpe de 1964, quando o assunto de interesse é outro, não menos tenso (ciúme e possessividade) ou escandaloso (em família).

O que não quer dizer que Flores Raras seja vago em sua síntese biográfica. Com seus diálogos afiados (Lota: É inconcebível alguém colocar a amizade à frente do amor.) e abrangentes (Elizabeth: Nunca me senti uma exilada, mas também nunca me senti exatamente em casa.) ele vai além do que se espera e desvela mais do que se imagina sobre as mazelas do amor e do poder. Por vezes um filme poético, mais para se ouvir do que para se ver, na interpretação impecável do trio protagonista, com destaque para a linda Miranda Otto. Por vezes um filme imagético, mais para se ver do que para se ouvir sobre os opostos (vinho e uísque, sol e lua, yang e yin) que se atraem ou se atracam com convicção, muito bem emoldurado pela bela fotografia de Mauro Pinheiro. 

Flores Raras é uma excelente brisa nas salas de cinema tomadas pela “comédia” chula. Um filme para o espectador que ainda não perdeu a faculdade de pensar (por conta própria).

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Crítica: Se Puder... Dirija!


Quem diria que um dia, no Brasil, teríamos uma comédia em 3D? Quem diria que o chulo em 2D faria tanto sucesso de público e nenhum de crítica? Quem diria que uma tecnologia que nem sempre agrega valores estéticos a um filme estrangeiro, mas que aumenta sensivelmente o preço dos ingressos, estaria tão rapidamente ao alcance do (bolso do) espectador brasileiro?

Se Puder... Dirija! (Brasil, 2013) tem argumento clichêdificante (pai idiota versus filho esperto). Segundo a sinopse oficial: Se Puder... Dirija! acompanha a história de João (Luiz Fernando Guimarães), pai ausente de Quinho (Gabriel Palhares) e ex-marido de Ana (Lavínia Vlasak). Manobrista em um estacionamento, ao lado de Edinelson (Leandro Hassum), ele precisa dar um jeitinho para fugir do trabalho e ir se encontrar com o filho, pois havia prometido à ex-mulher passar o dia com a criança. A solução que encontra é pegar “emprestado” o carro da Dra. Márcia (Bárbara Paz), fiel cliente do estacionamento. Afinal, é só uma saidinha rápida. Mas encontrar o filho e voltar a tempo de devolver o carro, sem que a proprietária dê por sua falta, torna-se uma grande odisseia e João se envolve em várias aventuras com seu filho, o carro, e o cachorro Moleque.

O problema é que o que parece divertido no resumo da história (que esboça a saga do herói), não tem a menor graça na telona. Com direção claudicante e roteiro frouxo de Paulo Fontenelle, o resultado é uma “comediazinha” infantil(óide) pensada para o deleite da família, mas que, se muito, deve agradar apenas aos espectadores com idade mental de 10 anos, desde que (é claro!) riam de qualquer asneira. Assemelha-se a um desinteressante especial de TV para quem não saiu de casa para comemorar o dia dos pais. Pode não ter paradas para os comerciais, mas os merchandisings não dão folga, na primeira oportunidade pululam na tela.

A narrativa sem ritmo, os personagens caricatos (e chatos!), os “diálogos” ridículos, as velhas “piadas” esticadas à exaustão, a trama esfarrapada, a dublagem (?) sem sincronia, atores sem inspiração, os furos e mais furos..., deixam tudo muito falso, enfadonho e muito mala, digo, mal embalado num 3D(cepcionante). Além de não dizer a que veio, na maioria das vezes o 3D(cepcionante) vacila entre o foco e o 2D(esordenado). Em algumas cenas a proporção (e a falta de massa) dos personagens é tão absurda que parece que foram recortados (individualmente e em diversos tamanhos) e mal ajustados (feito pop-up) num cenário à base de chroma key!


Fontenelle disse que: ... o filme é uma comédia de situação, de costume, superengraçada e divertida. Acho que ele se referia ao 3D(cepcionante) que, este sim, é uma piada. E pensar que tem gente que reclama dos filmes em 3D-convertido. Constrangedor!

sábado, 17 de agosto de 2013

Crítica: Os Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos


Eu entendi nada, nada! Imagine uma história cuja receita mistura os “códigos” de Dan Brown, o Harry Potter, de JK Rowling, o Constantine, de Francis Lawrence (baseado na HQ Hellblazer de Alan Moore), com lampejos de Crepúsculo, de Stephenie Meyer..., só para ficar nos mais conhecidos, com pitadas das suas sofríveis versões cinematográficas e, ainda, um gole de filmes obscuros de “terror” infantojuvenil, longe do status de trash. Imaginou? Então reserve.

Os Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos (The Mortal Instruments: City of Bones, EUA, Alemanha, 2013), dirigido por Harald Zwart, é baseado no livro homónimo de Cassandra Clare. O filme de aventura romântica, fantasia adolescente e ação infantojuvenil, com roteiro de Jessica Postigo é totalmente gira. Era uma vez, lá em Nova York, uma garota estranha chamada Clary Fray (Lily Collins) que estava numa balada, com seu amigo Simon (Robert Sheehan), e (somente ela) viu um jovem estranho ser morto por jovens estranhos que desapareceram com o presunto. No dia seguinte a sua estranha mãe (Lena Headey) foi atacada por dois estranhos e desapareceu sem deixar pistas (e apesar do barulhão sem levantar suspeitas na vizinhança).

Quando a garota, que vive rabiscando cabeças de bode, saiu em busca de respostas para as seus estranhos desenhos, visões e o desaparecimento da mãe, acabou descobrindo Downworld, uma Nova York alternativa repleta de seres fantásticos (vampiros, lobisomens, anjos, demônios, bruxas, monstros) e conhecendo os Caçadores de Sombras: Jace Wayland (Jamie Campell Bower), Alec Lightwood (Kevin Zegers) e Isabelle Lightwood (Jemina West) etc. Depois? Ah, os amores mal resolvidos e todo mundo brigando com todo mundo por conta de um cálice místico, sagrado, mágico ou coisa que o valha.


Zwart é especializado em filmes juvenis e fez do remake Karate Kid (2010) um filme até razoável, mas não conseguiu o mesmo resultado com Os Instrumentos Mortais. Aliás, encontrar algo que se destaque nesta produção é praticamente uma missão impossível. A história é péssima, o roteiro é ruim, a narrativa é confusa, o elenco é sofrível e os “efeitos especiais” amadores. Nem mesmo um incestuoso clichê convence. É tudo tão feio e primário que parece difícil que chegue ao fundamental.

Não li a série best-seller de Clare e talvez por isso não tenha entendido a história que mostra uma Nova York paralela “dominada” por demônios, lobisomens, vampiros, bruxas, anjos, monstros, mas sem nenhum zumbi. A explicação? Zumbis não existem! Ahn?! Zumbis não existem? Ah, entendi! Acho! Enfim, um filme para meninas (apaixonadas) e, talvez, meninos fãs dos livros... A mistura que reservou? Pode jogar fora!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crítica: Percy Jackson e o Mar de Monstros


No segundo parágrafo da minha crítica ao Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010) eu disse que não havia lido “nenhum livro que narra as aventuras do jovem Percy Jackson entre personagens da mitologia grega, vivendo disfarçados nos EUA. Mas, comparado ao resumo do livro e aos comentários dos leitores, que encontrei pela internet, o filme conta uma (outra) história apenas parecida e com (bem menos) personagens da série.” Mantenho o parágrafo e a maior parte do que disse sobre o filme anterior para essa nova empreitada de mitolices.

Percy Jackson (Logan Lerman) ainda é o mesmo garoto disléxico e com déficit de atenção que descobriu (por acaso) ser um semideus - filho de Poseidon (Deus do Mar) com a humana Sally Jackson - e um predestinado a salvar a Terra e ou o Olimpo das malignas forças divinas. Para a sua proteção e treinamento, ele vive, com outros assemelhados, no Acampamento Meio-Sangue. Desafios, intrigas, inveja, ciúmes etc fazem parte do jogo (já vistos na Hogwarts de Harry Potter). Desde que a sua origem foi desvelada Percy descobriu que há um bocado de profecias que o colocam no centro das atenções (para o bem ou para o mal) de todos os Titânicos Deuses.


Percy Jackson e o Mar de Monstros (Percy Jackson: Sea of ​​Monsters, EUA, 2013), dirigido por Thor Freudenthal, trata da busca do “milagroso” Velocino de Ouro. De um lado Percy, o seu meio-irmão ciclope Tyson (Douglas Smith) - filho de Poseidon com uma ninfa do mar, Annabeth (Alexandra Daddario) - filha de Atena, o sátiro Grover (Brandon T. Jackson) e a competitiva Clarisse (Leven Rambin) - filha do deus da guerra Ares, querendo o velo para salvar a protetora do acampamento, Árvore de Thalia, que foi envenenada. De outro o mal-amado e traiçoeiro Luke (Jake Abel) - filho de Hermes, e a sua “gangue argonáutica”, que quer o tosão apenas para “resgatar” Cronos e se vingar dos deuses olimpianos. Todavia, para botar as mãos no precioso Velocino, todos vão precisar de alguma astúcia para vencer o Mar dos Monstros (também conhecido como Triângulo das Bermudas) e o ciclope Polifemo.

Baseado no 2º livro do escritor Rick Riordan, Percy Jackson e o Mar de Monstros é um filme de aventura previsível e ação coreografada na medida para encher os olhos da criançada. Esse saltitar pode cansar um adulto mais exigente ou um amante da mitologia grega que busca pela saga de um herói. Nesse mundo paralelo, onde Perseu, filho de Zeus, virou Percy, filho de Poseidon, por enquanto a jornada ainda não saiu do prólogo. O humor é assim-assim.  Salva-se a brevidade de Nathan Fillion, como Hermes, chefe da OPS (Olympic Postal Service), e uma tirada do Deus Dionísio (Stanley Tucci), que tem seus melhores vinhos transformados em água, por Zeus: "Os cristãos têm um cara que sabe fazer este truque ao contrário". Será que a garotada vai entender?


Percy Jackson, a nova franquia, mesmo seguindo uma fantasiosa linha infantil de “releitura atualizada” da rica mitologia grega, não consegue se livrar do fantasma de Harry Potter, a velha franquia. É impossível não comparar o drama dos protagonistas e as tramas que arrebanham os coadjuvantes. A variação de apetrechos (caneta-espada versus varinha mágica) e monstrengos também é mínima. O elenco é esforçado, mas, com personagens tão rasos, não tem muita chance de mostrar a que veio. Nem mesmo o promissor Logan Lerman, excepcional em As Vantagens de Ser Invisível (2012), consegue dar mais sabor ao insosso Percy.

O roteiro ralo de Marc Guggenheim e a direção morna de Freudenthal têm por alvo o público infantojuvenil (dos 8 aos 13 anos) e fãs de ocasião mais preocupados com efeitos especiais do que com os mitos gregos. Sem cerimônia, eles apelam para a fantasia (o cavalo marinho é belíssimo) e situações de medinho, onde nem mesmo um navio tripulado por confederados zumbis (?) apavora. As “situações de perigo” são ameaças facilmente resolvidas. Nem mesmo as “violentas” sequências do (fantástico) touro mecânico e da pífia batalha final (mix arremedo de Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e Fúria de Titãs 2 (2012) provocam alguma tensão. No máximo é um: Olé!, e um: Ahan! Enfim, nada que traumatize o espectador(zinho). Mas, dependendo do acompanhante...

sábado, 10 de agosto de 2013

Crítica: Círculo de Fogo


Quem é chegado em ícones populares da cultura cinematográfica e televisiva japonesa, como Godzilla, Mothra, Gamera, Robôs..., não deve perder Círculo de Fogo, uma divertida homenagem que o formidável diretor Guillermo Del Toro faz ao gênero que povoou (e ainda povoa) a imaginação de muita criança mundo afora..., inclusive a dele.

Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013) é um filme para se curtir e se lembrar de antigas produções nipônicas com seus cenários de papelão e, honestamente, não se preocupar muito com a lógica. É claro que, se você for um espectador-cabeça preocupado com mensagens (edificantes?) e ou críticas (socioeconômicas?) aos governantes etc, vai encontrar algumas “metáforas” a respeito. Mas só se procurar muito entre os vários clichês clássicos que (é claro!) não poderiam faltar numa sci-fi desse porte. Pois, acredite, isso é o que menos importa.


O argumento é bacana: robôs gigantes enfrentam dinossauros imensos (saídos de uma fenda no fundo mar) que querem dominar Terra. O roteiro de Travis Beacham e Del Toro é direto. Logo após o prólogo que conta como apareceram as monstruosas criaturas (chamadas de Kaiju) e o que levou à fabricação dos robôs gigantes (Jaegers)..., a história vai logo ao que interessa: embate entre os colossos, na maioria das vezes, em alto mar. Enquanto os lagartões querem se apossar do planeta, os humanos (cérebro e membros dos complexos robôs) querem acabar com a raça deles, fechando o seu portal. Simples assim. Quer dizer, não tão simples. A empreitada vai ser dureza, para delírio e compensação da plateia em pouco mais de duas horas de projeção.

Longe de ser infantilóide ou boba, a narrativa tem alguns achados fantásticos, os dois melhores podem até passar despercebidos em meio à pancadaria: um Berço de Newton (equilíbrio e delicadeza!) e um navio como arma de ataque de um robô (gore sem sangue!). A fotografia de Guillermo Navarro faz a diferença nas intensas cenas de combate noturno, mas arrasa mesmo nas menores (?), como a da misteriosa garota com seu guarda-chuva preto e ou a garotinha com seu sapato vermelho (que tanto apavora quanto emociona). Merece também destaque, apesar de breve, uma sequência que registra peões de obra sobre vigas altíssimas. Os efeitos especiais e o 3D realmente impressionam.


Círculo de Fogo é um filme de ação e aventura e, portanto, os batidos dramas pessoais dos protagonistas humanos (todos relacionados à família) ficam em segundo plano. Eles estão na história só para constar. Qualquer espectador sabe como e quando serão resolvidos. O elenco é formado por competentes novatos e notáveis da Inglaterra, EUA, Japão... Entre os heróis tripulantes dos Jaegers estão Charlie Hunnam (Raleigh Becket), Diego Klattenhoff (Yancy Becket), Rinko Kikuchi (Mako Mori), Robert Kazinsky (Chuck Hansen) e Idris Elba (Stacker Pentecostes).

Não é uma comédia, mas tem lá a sua graça. O seu melhor momento de humor está na figura (fora de ordem!) e na atividade do extravagante Hannibal Chau (Ron Perlman), um negociante que “recicla” e comercializa no mercado negro tudo que consegue “limpar” dos lagartos mortos. Há também uma “dupla cômica” de excêntricos cientistas (Charlie Day e Burn Gorman) que começa chata, mas que acaba encontrando o tom na segunda parte.

Círculo de Fogo continua divertido após a sessão, quando a gente começa a brincar com o porquê das ações dos Kaiju e dos Jaegers ou o porquê das armas ocultas dos robôs ou o porquê de dupla de pilotos em vez de controle remoto e ou etc. Bobagens! O melhor é concluir que tudo que se viu, nostalgicamente faz sentido, além de humanizar a história (com tipos peculiares, mesmo que caricatos), dá a algumas sequências um clima retrô deliciosamente trash. É uma história que parece inventada por um menino (pré-adolescente) para ser contada para todos (outros meninos) que adoram robôs e dinos... Será que tem por aí alguma menina que também curte?

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